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Arquivo da categoria ‘Drops de Pérolas’

RADIOHEAD FAZ ARTE ESSENCIAL, PURA, UM SOCO NO ESTÔMAGO

Publicado por Aha! em 25/03/2009

_resized_perola_isay_1“Drops sabor inspiração e cultura coloridos afetivamente.”

“Drops de Pérolas 007”

Hoje, quando o tintureiro chegar e perguntar “Tem roupa pra lavar?”, vou disfarçar e dizer “Tem não, senhor…” Da última vez que dei minhas roupas para lavar após assistir a um show do Radiohead, vi no dia seguinte o tintureiro voltar com uma certa melancolia estampada na face… A música deles impregna até na roupa.

Não desgruda. Logo após o show, é impossível sequer ligar o rádio do automóvel. Conversar com alguém, nem pensar… Dependendo de quem esteja com você então, é uma ótima desculpa.

Na manhã seguinte você ainda acorda enlevado, perguntando: o que é aquilo que passou ontem por mim com tanta força? Mas erra feio quem reduz estes sentimentos somente à melancolia. Este é só um dos inúmeros calafrios que se sente ao ouvi-los ao vivo.

E, a cada música, a viagem te conduz a lugares distintos. Você fatalmente irá se apaixonar pelo trabalho deles, se os lugares em que a música deles te levar forem os lugares que você eventualmente gostaria de estar, de conhecer… Senão, não vai gostar.

A música é mágica, enigmática, lancinante, ousada. O grupo se apresenta exatamente como eles são fora do palco. Sem afetação, modismos, superficialidades. Não fazem gênero.

Vão lá, dão o seu recado e, infelizmente, vão embora. E são generosos. Mais de duas horas disso tudo, com uma mistura na medida certa entre som, luz e imagem. Uma completando a outra. Luz e imagem a serviço da música. Nada está lá à toa, para chamar atenção. Tudo na medida certa, elegante. Um show impecável, inesquecível.

Difícil destacar alguma música (apesar de minha paixão por “Videotape”). Nem as mais antigas parecem deslocadas no contexto geral do show. Thom Yorke, gênio encantado, cantor excelente e absurdamente carismático, te conduz com segurança e uma pontinha de satisfação a uma outra dimensão. Depois, fica muito difícil voltar… Nosso mundo aqui é bem mais chatinho.

Só fico um pouco incomodado quando leio que Radiohead é uma banda de rock. Ser só uma banda de rock certamente não é pouca coisa, mas eles vão muito além. Muito além… Evidentemente que estas são sensações muito particulares.

Mexe com um, não mexe com outro. Só estou querendo dizer que este grupo de cinco rapazes, amigos de colégio, se juntou e misturou letra, música, técnica, performance, luz e imagem de uma maneira que me inquieta, me transtorna.

É arte. Pura, essencial. Um soco no estômago. Ed, Colin, Jonny, Phil e Thom, quero acreditar, conspiraram com a intenção de me fazer levitar com sua música. E eu, daqui de cima, vejo uma galera saindo do show tarde da noite…tranquila. Feliz.

ISAY WEINFELD, 56, é arquiteto.

(Publicado na Folha de São Paulo, em 24 de março de 2009, dois dias após o show da banda inglesa na Chácara do Jóckey, São Paulo.)

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O MUNDO DISNEYLANDIZADO

Publicado por Aha! em 27/01/2009

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“Drops sabor inspiração e cultura coloridos afetivamente.”

“Drops de Pérolas 006”

No período de 26 de dezembro de 2008 a 10 de janeiro de 2009, estive junto aos meus companheiros de “jornada ahática” Anita Prado e Roberto Pompéia em um aguardado tour por três das mais importantes cidades da Europa: Paris, Roma e Genebra.

Devido à vontade de outros amigos que foram conosco, nosso primeiro dia teve um programa bastante diferente do restante da viagem: fomos à EuroDisney. Eu, que esperava ver algumas atrações que revelassem detalhes das produções cinematográficas, encontrei somente montanhas-russas, elevadores que despencam, shows de carros saltando por cima de barris em chamas e outros brinquedos e shows. E confesso que me diverti bastante.

Nesse ambiente, o olhar se acostuma aos chapéus com orelhas de Mickey e os balões de gás hélio – além das centenas de quinquilharias vendidas em todos os lugares. Porém o que o olhar estranha é o vazamento destes fenômenos para além dos portões da Disney.

Todo o restante da viagem foi planejado sob um viés cultural um pouco mais… digamos… profundo (ainda que em um período hiperlotado de turistas do mundo todo), conforme o internauta lerá nos próximos posts. Eis que, entre tantos museus e lugares históricos, paisagens que nosso imaginário glamouriza como a Avenida Champs-Elysées, a Piazza Navona e o Coliseu revelam-se parecidíssimos com o famoso parque temático em seu pior aspecto: a enxurrada de barraquinhas vendendo todo tipo de tranqueira.

disney05_louvreMuvuca na Disney. Digo, no Louvre!!!

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Até show de índios de araque teve nesse dia, na Piazza Navona.

disney01_pantheonGrande Pantheon

disney02 pantheon - ...epa! Mas o que é essa pequena imperfeição?

Ué, mas tem uma imperfeição!?!

disney03 pantheon - Ah, mas é claro... um balão metalizado!!!

Nossa, olha só! Já tinham balões metalizados naquela época

!

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Difícil é colocar uma escada de 40 metros para tirar isso daí.

E este consumo voraz e sem critério algum deixa seus rastros, como podemos ver nas fotos. O que me faz pensar que a arte e a cultura não estão, de fato, nas coisas e lugares em si. Portanto, se acotovelar feito um desesperado para levar a foto da Mona Lisa em seu celular não tem um décimo do valor de levar lembranças afetivas na memória. Ou reflexões críticas em seu blog.

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Avenida Champs-Elysées. Acredite se quiser.

disney08 mona - disney08 mona

Por Fabio Woody

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Meditação

Publicado por Aha! em 19/09/2008

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“Drops sabor inspiração e cultura coloridos afetivamente.”

“Drops de Pérolas 006”

Meditar é uma prática extremamente simples. Tão banal quanto beber água, e igualmente fundamental.

Para quem nunca tentou, a palavra freqüentemente traz um imaginário místico, transcendental, porém a meditação pode ser praticada simplesmente como uma forma de auto-regulação – de corpo e mente.

Para quem diz não ter tempo, um bom estímulo é saber que bastam quinze minutos por dia.

E para quem tem vontade mas não sabe como, existem inúmeros centros de diversas vertentes em que se pode praticar em grupo – desde academias de Yoga até templos budistas –, ou pode-se também praticar sozinho, mesmo sem nunca ter feito isso.

Meditar, essencialmente, é perceber-se. A forma mais simples de meditação é sentar-se sobre uma almofada confortável, mantendo a coluna ereta, e respirar profunda e lentamente em silêncio. Os olhos devem fixar-se em algum ponto, e a atenção deve ser totalmente direcionada à respiração.

Meditar, de certa forma, é “desviar” dos pensamentos. Bons ou maus, urgentes ou longínquos, nenhum pensamento é digno de aprofundamento nesta hora. É impossível não ter pensamentos, uma vez que eles nascem independentemente da nossa vontade… mas é possível evitá-los, mantendo o foco na respiração, no silêncio e na postura.

Para os que ainda assim não sem convencem, o que não faltam são comprovações científicas de seus benefícios. Algumas delas se originaram de estudos dirigidos durante 25 anos pelo cientista Herbert Benson, da Harvard University.

Dr. Benson chegou a conclusões muito interessantes. Seus descobrimentos foram resumidos em um relatório destinado ao Escritório de Sistemas e Práticas Médicas Alternativas do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos na década de 90. Alguns dos benefícios comprovados são:
- redução dos níveis sanguíneos de cortisol (o hormônio do stress);
- diminuição da pressão sanguínea e do batimento cardíaco;
- baixa da taxa de colesterol do sangue;
- alívio da ansiedade e da dor crônica;
- auxílio no controle do uso abusivo de substâncias nocivas como o álcool, drogas, calmantes, cigarros etc;
- a meditação está associada à melhora da qualidade de vida e à longevidade; conseqüentemente, à diminuição dos custos de manutenção da saúde.

A Meditação Transcendental é a experiência da inexistência. Aquela inexistência que está como o vazio da semente, e possui a base de todas as inumeráveis expressões.
A questão é que minha mão surge, meus olhos começam a ver, meus ouvidos começam a ouvir… e onde está o ‘Eu’? Hmmm? O ‘Eu’ é aquele vazio que vê pelos olhos, ouve pelos ouvidos, move as mãos. Que, na terminologia Védica, é chamado ‘devata’.
‘Devata’, se quisermos traduzir, significa ‘inteligência criativa’. É aquele campo de infinita criatividade – e diferentes campos de criatividade, dentro da inexistência da semente. De dentro, as folhas surgem, os ramos surgem, as flores surgem
”. – Maharishi Mahesh Iogue.

Por Fabio Woody
(Dados de pesquisas: Instituto Nefrú)

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A construção e a reconstrução

Publicado por Aha! em 08/09/2008

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“Drops sabor inspiração e cultura coloridos afetivamente.”

“Drops de Pérolas 005”

Muitas construções arquitetônicas possuem um evidente exagero formal onde seus elementos produzem um efeito que, num primeiro momento, se tornam muito atraentes. Essa forma de comprometimento exclusivo com a imagem atinge a estabilidade do sistema. Ou seja, suas partes estruturais se compõem de elementos inconsistentes e insuficientes para manter os reluzentes revestimentos do cenário montado.

Outras construções, por preocuparem-se demasiadamente com os elementos estruturais que as aproximam da indestrutibilidade, abrutalham-se ao perderem a sutileza e proporção. Perderam, ainda, a sua autenticidade.

Tanto um caso como o outro, requerem uma reconstrução. Para que a nova construção seja verdadeira e harmoniosa deve-se salvar as partes mais significativas, tanto de uma como da outra. Isso só é possível se ambas passarem por um processo de desconstrução de ambas – e não de demolição.

A nova composição deverá conectar cada parte preciosa, tal qual os fios mágicos de Artur Bispo do Rosário ou os mosaicos de Gaudí.

Assim como as construções arquitetônicas, as relações em uma corporação moderna devem manter uma estrutura eficaz, porém sem perder a estética ou proporção. E, em se tratando de projetos de educação, as iniciativas que se preocupam com a imagem como primeiro foco, não devem perder a unidade e seu objetivo maior: a formação de um profissional integral.

Sem a arte, isso não será possível.

por Roberto Pompéia

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Não há povo sem poesia

Publicado por Aha! em 08/09/2008

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“Drops sabor inspiração e cultura coloridos afetivamente.”


“Drops de Pérolas 004”

Tanto se fala da tal poesia, mas o que têm os poetas e pensadores a dizer sobre ela?

“A poesia é conhecimento, salvação, poder, abandono. Operação capaz de transformar o mundo, a atividade poética é revolucionária por natureza; exercício espiritual, é um método de libertação interior. A poesia revela este mundo; cria outro. Pão dos eleitos; alimento maldito. Isola, une.” – Octávio Paz

“A poesia genuína pode comunicar-se antes que seja compreendida.” – T. S. Eliot

“Mas o que vou dizer da poesia? O que vou dizer destas nuvens, deste céu? Olhar, olhar, olhá-las, olhá-lo, e nada mais. Compreenderás que um poeta não pode dizer nada da poesia. Isso fica para os críticos e professores. Mas nem tu, nem eu, nem poeta algum sabemos o que é a poesia.” – Garcia Lorca

“Outro dia, embaixo da chuva, esperamos um barco à beira de um lago; a mesma lufada de aniquilamento me atinge, desta vez por felicidade. Assim, às vezes, a infelicidade ou a alegria desabam sobre mim, sem nenhum tumulto posterior, nenhum outro sentimento: estou dissolvido, e não em pedaços: caio, escorro, derreto. Este pensamento levemente tocado, experimentado, tateado (como se tateia a água com pé) pode voltar. Ele nada tem de solene. É exatamente a doçura.” – Roland Barthes

“A poesia é mais fina e mais filosófica do que a história; porque a poesia expressa o universo, e a história somente o detalhe.” – Aristóteles

Compilado por Anita Prado

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